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** By ROBERTO CHRISTO **

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O insondável Alexandre Quintas

O artista Alexandre Quintas (Foto Acervo Pessoal)


Nesta semana, me deparei com coincidências artísticas advindas de dois artistas distintos, cujas obras chegaram até a mim, sob o aspecto característico da semelhança. Há uma semana atrás, após ver as fotos do venezuelano, Daniel Bracci, protestando contra a censura e a repressão do Governo de Nicolás Maduro, fiz um post sobre o tema. Alguns dias depois, me surgiram as fotos de Alexandre Quintas, cuja obra me trouxe a mesma sensação da obra de Bracci.

Em conversa com Alexandre Quintas perguntei se havia algum conceito ou tema para o trabalho de fotos dele e obtive uma resposta incrível:

"Acredito de alguma forma que todas as descrições são contadas e resumidas através das próprias fotografias. Uma vez revelado um tema, talvez eu perca o meu mistério, aquele que tantas pessoas falam. Eu posso dizer qual a concepção que me levou a exteriorizar o que estava latente em mim em cada momento, mas  suponho que limitaria as sensações pessoais de cada ser que contemplasse mais uma das expressões a "La Quintas". É instigante poder ouvir a percepção de que cada pessoa tem pelos meus trabalhos, tanto na arte dramática como na literária. Apesar de eu ser reservado quanto à minha vida pessoal, é um pouco de mim partilhado às pessoas. É uma troca, uma aproximação!"

Temos vários meios de expressar nossas opiniões e a fotografia é um deles. Fotografar é registrar a visão individual e poder transformá-la em um contexto. Compartilhar este contexto é criar um movimento social, é proporcionar uma interação de opiniões, pensamentos e necessidades. Estes movimentos cíclicos são comuns nas artes e criam os históricos estilos de contextos da arte e de comportamento.

As guerras; os problemas e transformações sociais; nossas crises ou dificuldades pessoais! Todos estes fatores fazem a arte renovar, ajudam a criar movimentos que exprimem um sentimento social comum, de um mesmo momento. Só quando novas eras surgem é que nos damos conta que, em um passado qualquer, vivemos um movimento artístico de contexto. Só com o passar do tempo conseguimos desenvolver estudos sobre a arte que permaneceu "impressa". Ou seja, só assim pudemos notar ou filosofar sobre um impressionismo que conheceu a estética de forma cognitiva de seus autores, enquanto o expressionismo exteriorizou a maneira subjetiva do autor enxergar as coisas, dando a chance ao espectador de criar sua própria visão, uma chance de expressar o seu irracional, de se distanciar do figurativo.

No caso do trabalho de Alexandre Quintas eu vejo a mente emocional como a base da vida, e vejo que, realmente, o artista quer externalizar sua comoção, preservando a privacidade de sua face.

por ROBERTO CHRISTO


Fotos de Alexandre Quintas










terça-feira, 8 de abril de 2014

"O que o Mordomo Viu"

Foto do site Ingresso Rápido


"O que o Mordomo Viu" é o tipo de espetáculo que você não sente o tempo passar! É tão hilariante que quando chega ao fim, o verdadeiro desejo de todos os espectadores, se possível, seria como em um vídeo ou DVD: voltar a fita e assistir tudo de novo. Vale enfatizar que minha analogia não se completa, quando se compara a energia do teatro com a do vídeo, o "ao vivo" é infinitamente mais emocionante!

A versão de Miguel Falabella, que também assina a direção, foi baseada na peça escrita pelo polêmico, Joe Orton, cujo título original "What the Butler Saw" também pode ser traduzido para "O que o Camareiro Viu".

A minha grande ansiedade em prestigiar o espetáculo muito se deveu ao fato de poder assistir ao meu amigo e parceiro de trabalhos, o ator Magno Bandarz, brilhar, mais uma vez no palco. Parabéns Amigo! Você está maravilhoso, como sempre! Muito orgulho.

Justiça seja feita que o mérito de boa atuação vai para todos os atores que integram o elenco, sem nenhuma exceção! Uma turma de peso, afiada e que movimenta a peça, levando aquele especial "comichão" da comédia, que provoca as várias risadas, à plateia. Quero destacar dois atores: Marcelo Picchi e Marisa Orth, que só de pisarem no palco com suas expressões ímpares, já me arrancaram as melhores gargalhadas de 2014.

A inteligência de Miguel Falabella para adaptar o texto, construiu uma comédia capaz de burlar a barreira do politicamente correto e conseguiu brincar com questões de sexualidade e gênero sem jamais ofender qualquer diferença, classe profissional, filosofia ou aquelas rachaduras do nosso psiquê. E é claro! A sutileza dos atores foi fundamental para brindar a boa ideia do autor, foi unânime, a interpretação de tom perfeito e sem o uso dos trejeitos "clichês" da comédia. 

Um conjunto nota mil e melhor... com a vantagem da possibilidade de pagar somente R$ 50,00 + taxas pelo ingresso (o mais em conta, depende do assento e sujeito a alteração), desde que se compre com antecedência, pois o espetáculo está concorridíssimo. 

Aproveitem!

Em cartaz sextas, às 21h, sábados, às 19h e 21h30, e domingos, às 19h.

Teatro Procópio Ferreira
R. Augusta, 2823 - Jardim América
São Paulo - (11) 3083-4475
Ingresso Rápido

por ROBERTO CHRISTO


quinta-feira, 27 de março de 2014

Nos sentimos amordaçados, impotentes e sufocados

Alfredo Romero por Daniel Bracci

O fotógrafo venezuelano, Daniel Bracci, produziu um série de ensaios fotográficos com celebridades locais, para protestar contra a censura e a repressão do Governo de Nicolás Maduro. (https://www.facebook.com/DanielBracci83?ref=profile)

"A intenção é destacar a paz entre todos os venezuelanos, não importa de que quadrante político, já que a deterioração da liberdade de expressão afeta a todos", disse o fotógrafo.

Ao lermos tal afirmação nos damos conta que não só os venezuelanos, mas todos nós vivemos prisioneiros de um sistema criado pela má interpretação das filosofias do desenvolvimento humano e social. Vivemos um momento que  nos sentimos amordaçados, impotentes e sufocados, de maneira velada.

Ser um defensor das ideias de liberdade, igualdade e justiça é salutar, quando o homem não desvirtua tais filosofias para usufruto próprio e acaba por botar em prática o exercício oposto destes pensamentos, e é claro, em detrimento da dignidade humana. É totalmente injusto quando as figuras passam ocupar lados opostos!

Como aconteceu com a humilde costureira venezuelana, Marvinia Jiménez, que decidiu protestar, pacificamente, batendo panelas em frente a Guardia del Pueblo, contra o governo de Nicolás Maduro e foi (covardemente) espancada e presa por praticar "atos golpistas".

Veja as imagens:


Ou como acontece ao sermos traídos e pagarmos pela nossa atitude de deixar qualquer preconceito pessoal de lado! Afinal fomos educados a não julgar pelas aparências.

Ou quando a estampa do indivíduo, culturalmente o absolve de qualquer crime por tratá-lo como o coitadinho da sociedade injusta e o mesmo segue dando golpes e rasteiras naqueles, cujo rótulo de "bem nascido" acaba por lhe outorgar um título de "vilão".

Ou quando alguém nos rouba, deliberadamente, e mesmo com a condenação de justiça, sai ileso do pagamento, pois não tem condições financeiras para pagar. Enquanto isso, precisamos dar um jeito de arcar com nossos impostos, pois ainda que não tenhamos condições, em um dado momento, é uma obrigação do cidadão de bem.

Em meio ao desconforto gerado pelo roubo de nossos direitos, muitos se apegam às filosofias religiosas, assim se mantêm ingênuos e complacentes quando imaginam que todo mundo é benevolente, ou que é necessário agirmos com compaixão. Mas todos se enganam, pois estamos contribuindo para o eterno estado de vitimismo que legitima os atos hediondos dos déspotas, vândalos, estelionatários ou qualquer um que se julgue no direito de ter mais direito que os outros. E quem paga o pato são aqueles que ficaram vulneráveis devido a suas virtudes positivas de boas intenções e confiança no próximo. "Pagar o pato", mais uma expressão repugnante dos homens (A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador, a cavalo, deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia pagava pelo animal sacrificado, sendo assim passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem obter um benefício em troca).

Temos insistido, após dissabores da vida, em darmos novas chances na esperança de encontrar um ser humano melhor, porém nos deparamos com a decepção.

Estamos sempre nos perguntando: "Quem será o próximo a nos dar um golpe?", ainda que sob o eufemismo (sign. Eufemismo é uma figura de linguagem que emprega termos mais agradáveis para suavizar uma expressão) das expressões populares: "Gato escaldado tem medo de água fria"... Eufemismo ou crueldade humana? Imaginem o ato de escaldar um gato! Prefiro nem pensar numa atrocidade assim, já basta a dureza do nosso dia a dia dentro de uma realidade que urge mudar para melhor.

por ROBERTO CHRISTO


quarta-feira, 19 de março de 2014

Magno Bandarz chega com seu novo espetáculo à São Paulo


O amigo e ator, Magno Bandarz, chega a São Paulo nesta semana. O ator está em turnê pelo Brasil, ao lado de Miguel Falabella e Marisa Orth, com um hilariante  espetáculo teatral "O Que o Mordomo Viu" .

A comédia é uma versão de Miguel Falabella, que também assina a direção. "What the Butler Saw" foi escrita pelo inglês Joe Orton em 1967, cuja obra polemizava e fazia rir o público da década de 60. A peça foi encenada, pela primeira vez, no ano que seu autor morreu assassinado a marteladas pelo amante, que logo depois cometeu suicídio.

Após passar por cidades como Fortaleza, Aracaju e Belo Horizonte, sempre com o teatro lotado, "O Que o Mordomo Viu" chega ao Teatro Procópio Ferreira no dia 21 de março. Na trama, um psiquiatra é flagrado por sua mulher durante uma suspeita conversa com a secretária, que é convencida a se despir, pelo próprio doutor.

A montagem fica em cartaz sextas, às 21h, sábados, às 19h e 21h30, e domingos, às 19h.

Teatro Procópio Ferreira
R. Augusta, 2823 - Jardim América
São Paulo - (11) 3083-4475

por ROBERTO CHRISTO


quinta-feira, 13 de março de 2014

Senhorita Júlia e a Despedida de si Mesma



Utilizando-se da metalinguagem, estreou ontem no Teatro Augusta, o espetáculo "Senhorita Júlia e a Despedida de si Mesma". Com direção de Heitor Saraiva, a peça reúne um elenco de peso: a grande Amanda Pereira (Júlia), Eduardo Pelizzari, Paloma Souza, Rebeca Zadra, Danilo Amaral, Dico Paz, Rafael Dib, Patrícia Palhares, além de Beto Bellini, o também responsável pela autoria do texto.

Com uma produção de altíssimo nível, incluindo um figurino perfeito, uma iluminação e som de babar, o espetáculo deve emplacar como sucesso total.

Rafael Dib e Amanda Pereira
Júlia é filha de um grande empresário da comunicação, uma apresentadora de televisão que se envolve com um captador de recursos cuja esposa se diz uma religiosa, porém só age por interesse. Assim se desenrola a peça que discute questões como a vaidade, a adoração pela fama, o facilidade de se corromper na busca de egos inflamados, algo muito comum no mundo do audiovisual. Pensando bem... Eu diria que a realidade do texto transcende o "mundinho", trata-se de uma verdade geral da atualidade! O espetáculo é um espelho que reflete a imagem de nossos anseios. Claro, não quero generalizar, mas com certeza, muitos enxergarão a própria imagem, nestes tempos em que o homem parece estar retrocedendo.

O cinema, a música, a literatura... Enfim, a arte precisa seguir uma regra de uniformidade para garantir uma notoriedade. A estética precisa seguir o ritmo da globalização. O sistema econômico oprime o espírito, acaba com a harmonia casual das estruturas e fragiliza o artista. O produto torna-se algo fugaz e descartável, escondido sob o escudo do progresso.

Onde ficou a fantasia, o lúdico? Acabaram se tornando um espírito zombeteiro que, em alguns momentos, aparece para brincar com os artistas, ou lembrar que a essência da arte não é a grandiosa produção que a envolve, mas sim sua simplicidade ou a simples capacidade de nos fazer sentir. 

Esquecemos do literal teatro de ilusões. O que vale agora é o prazer de celebridade. O público fechou a "gavetinha" da reflexão, não quer mais exercitar a imaginação, está com preguiça de procurar o fio da meada

Onde ficou o homem? Passou a ser um objeto manipulável que dança de acordo com a orquestra do poder do dinheiro, ou vai na onda da massa. Perdeu seus atributos humanos, a capacidade de observação, só quer se engajar na corrida incessante do glamour. Deixou seus pensamentos no "automático" para curtir o indulgente. Passou a se preocupar, somente, com o próprio nariz, mesmo que precise contradizer suas crenças, seus ideias, sua educação, seus sonhos.

Mas o resultado de tudo isto pode ser um desastre para o maior bem do ser, o bem que esquecemos de dar o devido valor: A VIDA!

EM CARTAZ ATÉ 10 DE ABRIL DE 2014

Eu super recomendo! Melhor, é um espetáculo imperdível.

por ROBERTO CHRISTO


Ficha Técnica:

Direção: Heitor Saraiva.
Coordenação de Produção: Erika Barbosa.
Assessoria de Imprensa: Miriam Bemelmans.
Diretora de Produção: Patrícia Palhares.
Assistente de Direção: Lívia Simardi.
Ingressos: R$ 30,00. (Inteira) R$ 15,00 (Meia-Entrada) Mediante apresentação de comprovante.

TEATRO AUGUSTA
Rua: Augusta, 943 - Cerqueira César
Horários: quartas e quintas às 21h.
Sala Nobre: 302 Lugares.
Gênero: Drama.
Duração: 70 Minutos.
Classificação: 16 anos.
Compras On-Line: Ingresso Rápido.



quarta-feira, 12 de março de 2014

O Ator, Thiago Salles


Há alguns anos, tive a sorte de ver o espetáculo teatral "Garotos da Noite" de Thiago Salles e me encantei com a obra, seus atores e tudo mais que envolvia o espetáculo. É sempre bom tirar um proveito, não só profissional, mas pessoal das boas obras encenadas por terceiros. Acho que funciona como uma escola para mim! Além do mais, é sempre bom saber que nosso teatro, cinema e TV contam com talentos para abrilhantar nossas produções.

Embora minha formação artística tenha vindo quase que por acaso, confesso que meu primeiro interesse por me relacionar de corpo e alma com as artes, veio com a busca de um curso de teatro para superar a minha timidez, acabei encontrando uma cultura que ensina muito mais! Encontrei o amor pelo ofício das artes! Me deparei com uma forma de olhar o meu próprio "eu" que resultou, em termos pessoais, no conhecimento da valorosa prática da meditação!

Posteriormente, estudando cinema, abri as portas da sensibilidade como aquele espectador capaz de analisar a arte, como se estivesse fora da atmosfera criada por ela. Após me apropriar desta sensibilidade especial, eu sempre a aproveito para me envolver com os espetáculos que assisto!

Para minha boa surpresa, há poucos dias atrás, eu vi que o grande Thiago resolveu juntar os seus talentos para compartilha-lhos com todos os interessados, através de um trabalho que teve grande valor para mim, enquanto profissional e pessoa, os estudos. Thiago Salles abriu a "Casa de Cenas" (www.casadecenas.com.br), inovadora escola de teatro que promove cursos para formação de atores, para quem deseja melhorar a comunicação, ou para quem trabalha com apresentações e oratória.

Boas aulas de teatro, como as oferecidas pela "Casa de Cenas", podem lhe ensinar como utilizar e expressar sua voz.  A parte técnica contribui com ensinamentos sobre respiração correta, uso do diafragma, moderação de volume e do ritmo, articulação e postura. A parte artística, além de mostrar estratégias de enfrentamento da timidez e medo, ensina o ato de improvisar, criando o movimento de ação e reação momentânea, fundamental para melhorar sua capacidade de conversação e criatividade imediata.

Tais habilidades são essenciais para os atores, apresentadores, jornalistas e profissionais da área!

Enfim, um curso que tem como cartão de visitas o talentoso Thiago Salles, dispensa outras recomendações.


Parabéns Thiago e muito sucesso!

por ROBERTO CHRISTO

sexta-feira, 7 de março de 2014

Produção Artística




A produção artística, a montagem de um set ou de um cenário,  são os protagonistas deste vídeo produzido por Alexander Sinclair. 

Aqui é possível ver todo a criatividade do artista alemão, Michael Riedel, contratado para desenvolver a concepção artística de uma sessão de fotos de moda masculina, da revista inglesa, Wallpaper.

Também, é possível ter uma ideia de quanto trabalhosa é uma produção de qualquer realização que eleja a imagem como ponto principal de uma obra.


por ROBERTO CHRISTO

Assistam ao vídeo:
 
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